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Em primeiro lugar, gostaríamos de deixar claro que todas as pessoas envolvidas na criação deste site concordam ou já concordaram em algum momento com a reclamação costumeira de que existe uma quantidade bastante acima do necessário de blogs feitos por cinéfilos e cinéfilas brincando de escrever crítica de cinema. Mesmo que a criação deste site indique o contrário. Afinal de contas, melhor ter um só endereço juntando os textos de vários aspirantes a críticos de cinema que um blog para cada um, certo?

Indo por outra perspectiva, talvez o que realmente exista em uma quantidade preocupante sejam as críticas disfarçadas de peças publicitárias, ou as peças publicitárias disfarçadas de críticas. Temos consciência de que a crítica cultural em geral pode ser uma forma (bastante persuasiva, às vezes) de promoção de determinados produtos culturais (que são produtos, sem dúvida), mas gostamos de acreditar que a crítica não deveria ter como objetivo servir como guia de consumo ou determinar quais são as melhores e piores estreias da semana, até porque não estamos trabalhando com uma ciência exata, e sim tentar promover diálogos entre o espectador e o filme, entre o crítico e o espectador, entre espectadores, enfim, potencializar as diferentes interpretações que podem ser obtidas a partir de um produto cultural.

E caso você esteja em dúvida, sim, o nome do site é uma homenagem ao filme brasileiro ‘Lavoura Arcaica’, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, lançado em 2001. A homenagem se dá não só porque o longa é um dos filmes favoritos de boa parte da equipe do site, mas também porque acreditamos que ele é um bom exemplo da importância do trabalho da crítica. Por mais que ele tenha ganho aproximadamente 50 prêmios e participado de dúzias de festivais mundo afora, isso não incluiu os mais conhecidos como Cannes, Veneza ou Berlim. ‘Lavoura Arcaica’ geralmente não aparece em listas de melhores filmes brasileiros, modernos ou não, ou em listas internacionais dos ‘maiores filmes de todos os tempos’. Em seu lançamento, o filme galgou de cidade em cidade, e nem teve uma bilheteria tão grande assim. Por esses e outros motivos, nos parece que, nesse cenário, as pessoas que podem manter o filme sendo lembrado e assim reverberando e ganhando novos sentidos somos nós (todos nós), espectadores, cinéfilos, críticos (“profissionais” ou não).

O caso de ‘Lavoura Arcaica’ tem semelhanças com o de inúmeros outros filmes que amamos, mas que às vezes parecem estar esquecidos, ou a caminho de sê-lo. Não que só tenhamos o interesse de falar de filmes obscuros ou prestes a desaparecer da memória coletiva, mas ‘Lavoura Arcaica’ nos lembra de que nosso trabalho aqui é, além de tudo, uma luta contra o esquecimento.

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