A Economia do Amor

a economia do amor
por Felipe André Silva

Jordan Mintzer, crítico da revista norte-americana The Hollywood Reporter, definiu A Economia do Amor (L’Economie du Couple, dir.: Joachim Lafosse, 2016) como “‘Cenas de um Casamento’, de Ingmar Bergman, condensado num tempo e espaço menor, mas com a mesma complexidade”, e poucas vezes eu vi a memória e a obra de um diretor serem ofendidas de um jeito tão agressivo. Se Bergman tratava as emoções e as dores que existem no espaço entre quaisquer seres humanos como algo quase sagrado, como uma maneira de se investigar o que nos move e o que podemos mover, o cinema de Joachim Lafosse, e em especial este seu trabalho mais novo, toma o mais fácil e raso caminho na intenção de chegar ao mesmo lugar, e obviamente nunca chegará.

Se querendo bastante teatral em sua delimitação do espaço da casa onde mora junto de suas duas filhas pequenas um ex-casal, vivido por Bérénice Bejo e Cédric Kahn, Lafosse acredita esmiuçar em detalhes o doloroso processo de aceitação de fim do amor, ou de amor como se imaginaria que ele fosse. No entanto, A Economia do Amor (no original “A Economia do Casal”, muito mais apropriado) se assemelha muito mais como a visão de um realizador de torture-porn para o litígio do relacionamento.

A casa, motivo maior das discussões sobre a vida financeira do casal, parece bastante com um inferno particular, onde ambos (muito mais o homem, que o roteiro constrói como uma pessoa patética em sua postura de macho alfa) têm tempo e espaço para se atacarem, gritarem, e fazerem um show cansativo e tão próprio de uma classe média decadente e monogâmica que não conhece as possibilidades do mundo além de seus muros forrados de plantas. Alguma pessoa mais amarga diria se tratar de uma tentativa de chegar ao Oscar, que tanto preza por emoções tão falsas quanto inflamadas, e eu certamente concordo.