Dicas do Netflix – Abril

top of the lake
por Cesar Castanha

A Netflix tem se tornado a ferramenta mais fácil da atualidade para o acesso a filmes e séries, com seu catálogo sendo atualizado quase diariamente. Pensando nisso, o Lavoura entrega uma lista com sugestões entre os lançamentos e relançamentos do site durante o mês de março. Boa maratona!

agente carter
Agente Carter
(Criada por Christopher Markus e Stephen McFeely)
As séries Agent Carter e Jessica Jones, arrisco dizer, foram os momentos mais felizes da Marvel Studios no que diz respeito à recriação do universo audiovisual da Marvel. Ainda não há filmes tendo como protagonista (principal) alguma de suas várias personagens femininas, e a grande maioria delas tem sido lamentavelmente subutilizadas (a Viúva Negra é o exemplo mais triste), então há de se comemorar que tenham percebido e explorado o potencial da coadjuvante de Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, dir.: Joe Johnston, 2011). Agente Carter é a série de aventura contemporânea que mais se aproxima de clássicos da televisão como Buffy: A Caça-Vampiros e Alias: Codinome Perigo. A série acompanha o destino de Peggy Carter (Hayley Atwell) depois dos eventos do primeiro filme do Capitão América e seu trabalho como agente dupla, auxiliando Howard Stark (Dominic Cooper), que está foragido.

the spectacular now
O Maravilhoso Agora

(The Spectacular Now, dir. James Ponsoldt, 2013)
O Maravilhoso Agora é um dos filmes coming of age mais maduros e interessantes dos últimos anos. Sendo bastante breve, é um filme adolescente sobre alcoolismo, que, impressionantemente, consegue escapar do didatismo e principalmente do moralismo que parece inerente ao tema. O protagonista é um personagem complexo como há muito tempo não se via em um coming of age, belissimamente interpretado por Miles Teller (Whiplash). Teller é Sutter, um jovem prestes a se formar no colegial que, depois de passar por um fim de namoro, corteja a introspectiva Aimee (Shailene Woodley). Além da sua relação com a garota, o filme aborda a busca de Sutter por um reencontro com seu pai, enquanto seu alcoolismo fica cada vez mais sério.

house of cards
House of Cards

(minissérie britânica de três partes: 1990, 1993 e 1995)
A série que inspirou aquela que é provavelmente a mais bem-sucedida investida em material audiovisual voltado para a internet da história, a série House of Cards da Netflix, entrou no catálogo do mesmo site que se consolidou sobre esse material. Pode-se ver o bem que a idade fez à trilogia original, que hoje se mostra um pequeno clássico da televisão camp, uma celebração do thriller como gênero televisivo com uma simplicidade narrativa que faz falta à pretensão de sua irmã mais nova. Fãs da série podem se decepcionar com a pouca relevância de Elizabeth Urquhart (Diane Fletcher), o equivalente britânico de Claire Underwood (Robin Wright). Ian Richardson, no entanto, está perfeito como o perverso vice-líder do partido conservador Frank Urquhart, um personagem um tanto mais macabro que o presidente Underwood.

macbeth
Macbeth: Ambição e Guerra

(Macbeth, dir. Justin Kurzel, 2015)
“Enquanto o elenco faz um excelente trabalho ao se apropriar do texto shakespeareano (majoritariamente) com sutileza, a narrativa segue no completo oposto, escancarando cada drama com uma obviedade despudorada. Assim, o didatismo presente no filme serve para garantir uma “leitura correta” das emoções que cada cena estaria encarregada de imprimir, em vez de, por exemplo, elucidar informações que talvez façam falta, de relações entre personagens à relação geográfica entre diferentes localidades – esse último didatismo pode estar ausente desde o roteiro, e essa ausência não é negativa por si, apenas se faz notar.” (por Rodrigo S. Pereira)
Leia o texto completo.

top of the lake
Top of the Lake

(série de 2013 criada por Jane Campion e Gerard Lee)
Uma das mais belas minisséries recentes e a melhor entre um número gigantesco de séries policiais que tem surgido nos últimos cinco anos. Apesar de as tradições e os clichês do gênero terem um forte peso na série, pode-se notar várias problemáticas comuns ao cinema de Jane Campion. Para mim, a mais interessante delas se mostra na sensação de não-pertencimento de uma policial (Elizabeth Moss) a sua idílica terra natal, assim como no desconforto diante dos efeitos do patriarcado.

joe kidd
Joe Kidd

(dir.: John Sturges, 1972)
Joe Kidd é um de vários faroestes do bicentenário americano (os 200 anos da independência) estrelados por Clint Eastwood. E, embora não se compare aos melhores do grupo, é um exemplo bem bacana do que estava em questão para o gênero nos anos 1970: uma desconstrução das utopias revolucionárias e do imperialismo americano, saudando um herói do meio termo, da paz e do conformismo.

et
E.T. – O Extraterrestre

(E.T. the Extraterrestrial, dir. Steven Spielberg, 1982)
Eu lembro da comoção geral que a mera menção de E.T. – O Extraterrestre causava na minha família. O filme, sobre três irmãos que hospedam um filhote de outro planeta, está entre os melhores exemplos do cinema infantil da história e deve ser um dos responsáveis por transformar o gênero, colocando as crianças no centro da trama, sem adultos (quase sempre pouco confiáveis) para intermediar sua relação com o espectador.

missing
Desaparecido – Um Grande Mistério
(Missing, dir.: Costa-Gavras, 1982)
Um escritor americano desaparece no Chile, país em que vivia com a esposa desde antes do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. Tendo a deliberada resistência de representantes do governo local e da embaixada americana como obstáculos, a esposa (Sissy Spacek) e o pai (Jack Lemon) o procuram. Desaparecido é um filme de horror. Costa-Gavras filma uma Santiago apocalíptica; a relação das pessoas com a cidade, um dia utópica, é negada pelas forças da repressão, com soldados na rua. A cena em que Sissy Spacek tenta voltar pra casa durante um toque de recolher é belíssima.

o atalho
O Atalho

(Meek’s Cutoff, dir. Kelly Reichardt, 2010)
O Atalho é uma curiosa observação da paisagem americana no processo de ocupação pelos pioneiros. Um grupo de colonos vaga pelo Oeste do que hoje é os EUA em busca de terra ocupável. O caminho do grupo se cruza ao de um nativo, a quem é incumbida a responsabilidade de encontrar água para todos. A contemplação de Reichardt tem muito a propor sobre a relação dos seus personagens com a paisagem. Sugiro uma sessão dupla deste filme com Jauja (dir. Lisandro Alonso, 2014).

freaks and geeks
Freaks and Geeks

(série americana de 1999 criada por Paul Feig)
Uma temporada de Freaks and Geeks bastou para fazer da série um dos grandes clássicos da televisão. Os seus 18 episódios formam de fato um conjunto bastante especial, que constrói para os personagens um arco narrativo bastante completo, como um longo filme coming of age. É interessante que o Netflix traga essa série na mesma época em que trouxe o hit That 70’s Show, outra comédia adolescente nostálgica. Freaks and Geeks, no entanto, reflete sobre a própria nostalgia, sem nunca estereotipar o passado.