Além do Oscar

the greypor Cesar Castanha

A cerimônia do Oscar já passou, mas isso não signifique que a cinefilia precise dar uma pausa. Levando isto em consideração (e aproveitando que todo mundo resolve ver filmes loucamente nessa época do ano), esta lista traz oito filmes (geralmente melhores) que podem dar continuidade aos longas indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2016.

spotlightSpotlight Jejum de Amor
“Tudo isso aconteceu nos tempos sombrios do jogo jornalístico – quando conseguir uma história justificava tudo com exceção de assassinato. Incidentalmente, você não verá neste filme nenhuma semelhança com os homens e mulheres da imprensa de hoje. Pronto? Era uma vez…”. Esta é a cartela que abre Jejum de Amor (His Girl Friday, dir. Howard Hawks, 1940), adaptação da peça The Front Page com um twist para o gênero de comédia romântica – segundo Stanley Cavell, o mais sombrio representante do gênero. Ao não se localizar no tempo, Jejum de Amor se permite o lugar de uma narrativa atemporal sobre o jornalismo, e é provavelmente o melhor filme a abordar o tema.

mad max
Mad Max: Estrada da Fúria
Mad Max
Mad Max (dir. George Miller, 1979) é bem mais limpo esteticamente do que você poderia esperar. As estradas australianas são cenário para uma narrativa policial pós-apocalíptica da loucura associada à violência e da violência associada às estradas e à masculinidade. Assim como Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, dir. George Miller, 2015) Mad Max é um filme de estrada com personagens em fuga desesperada da insanidade daquela paisagem.

the martian
Perdido Em Marte
Wall-E
Bem mais interessante do que os diálogos da Nasa e Matt Damon ouvindo disco music é esta animação da era de ouro da Pixar. A primeira meia hora do filme, com Wall-E e Eve sozinhos no Planeta Terra, é uma pequena pérola do cinema de animação. Não concordo que a quebra com o lirismo de melancolia e solidão a partir desse momento, quando o filme se assume uma trama de aventura, comprometa o todo. Mesmo aí, Wall-e (dir. Andrew Stanton, 2008) ainda é uma das coisas mais espertas produzidas pelo estúdio. Disponível no Netflix.

big short
A Grande Aposta
Margin Call – O Dia Antes Do Fim
Apesar de A Grande Aposta (The Big Short, dir. Adam McKay, 2015) não ser nenhum feel-good movie, Margin Call – O Dia Antes do Fim (Margin Call, dir. J.C. Chandor, 2011) é mais sombrio na superfície e bem menos didático (apesar de o didatismo de A Grande Aposta servir à raiva do filme e não ser de forma alguma uma característica negativa). O fedor da crise americana como consequência de uma série de fraudes, porém, também está presente neste filme, assim como o sentimento anticapitalista. Disponível no Netflix.

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O Regresso
A Perseguição
Um avião com trabalhadores da indústria do petróleo cai no Alaska; entre eles, Liam Neeson na sua melhor forma. A Perseguição (The Grey, dir. Joe Carnahan, 2011) é um dos melhores filmes de ação contemporâneos (se não o melhor) a seguir o conflito entre o homem e a natureza. É também algumas vezes superior ao arrogante O Regresso (The Revenant, dir. Alejandro González Iñárittu, 2015). É interessante também como Neeson aborda o personagem que o cinema tem criado para ele na última década e o subverte da sua própria maneira.

bridge of spies
Ponte dos Espiões
O Espião que Sabia Demais
Assim como Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, dir. Steven Spielberg, 2015), O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy, dir. Tomas Alfredson, 2011), adaptação de John Le Carré, tem uma abordagem mais suavizada da trama de espionagem. Neste caso, a melancolia da construção de cena acompanha a do protagonista George Smiley (Gary Oldman), um agente aposentando e cansado. O Espião que Sabia Demais elabora sua humanidade como se o objetivo final de seus personagens fosse, finalmente, reconhecê-la.

brooklyn
Brooklyn
Era uma Vez em Nova York
São dois processos de imigração diferentes, e, por isso, cada um desses filmes encontra uma América bem diferente do outro. Brooklyn (dir. John Crowley, 2015) descobre, talvez, o país imaginado por Ewa (Marion Cotillard). Era uma Vez em Nova York (The Immigrant, dir. James Gray, 2013) é um filme, como Amantes (Two Lovers, dir.: James Gray, 2009), sobre frustração, a “distância entre intenção e gesto”. É também um filme sobre os marginais e invisíveis, que não têm na vida a sorte de um futuro que pode ser resumido em cartelas ao final do filme.

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O Quarto de Jack
The Babadook
São filmes de gêneros diferentes que se encontram pela sensação de claustrofobia que surge na relação entre seus personagens e da sua situação dentro de uma sociedade. Amelia (Essie Davis) é forçada por uma tragédia – e por uma sociedade que não reconhece sua individualidade – a assumir o papel de mãe solteira. O monstro de The Babadook (dir. Jennifer Kent, 2014) é a culpa e o medo de uma mulher forçada a ser mãe.